Na vítrea luz do sol poente
Relfectia-se o fim de tarde inerente.
E com a nudez do fim crescente,
Despertava em mim a criação de algo inconsciente.
As veias crispam-se descontinuamente,
O sangue derrete-se incessantemente.
Floresce em mim um fruto egoísta,
Vermelho, impossível e trocista.
No veludo do seu interior percrustei,
Os lábios da ferida de onde nasceu cocei.
Para além de pó e vazio, nada encontrei.
Algumas das minhas veias cortei;
Com a falta de cor me deparei:
A impossibilidade da sua ausência,
A clareza da sua transparência.
Não entendo a sua essência,
O haver fruto sem haver ninguém;
Porque frutos destes só se provam com alguém.
Garrido de dor e solidão, porém,
Pulsa dentro de mim sem razão.
Se há fruto e paixão, porque não há ninguém?