Cavalo de ferro pesado,
Enterro-te com lágrimas de areia.
Corto-te as correntes da memória,
Rezo pela tua cadeia.
Por não te quereres perder,
Ou por me quererem ver sofrer,
Atam-te as correntes
De que tentei correr.
Sinto de novo o teu pesado coração,
Que me arrasta para o fundo.
Desligo as minhas artérias então,
Exausto das correias de chumbo.
Há um alívio feliz nas rendições.
No deslize para as catedrais ateias,
Que me ameaçam em aços,
Afogar-me os pulmões.
Mas rio feliz, com gelo nas veias.
Descanso no sufoco da água
Com o espírito entorpecido,
Deito-me no leito, adormecido.
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